EU PRECISO DE UM AMIGO.
Só quem tem sabe o que vale
Só quem tem dá o valor
Um amigo que não fale
Que entenda nossa dor
Um sujeito ponta firme
Que apesar da correnteza
Tenha sempre um carinho
Pra impedir nossa tristeza
Eu preciso de um amigo
E ele pode ser você
Se depois disso que eu disse
Me souber compreender
Eu preciso de um amigo C
Companheiro e irmão
Pra que eu sinta no meu peito
Bater mais que um coração
Só entende o que eu falo
Quem passou dificuldade
E na hora do sufoco
Teve amigos de verdade
Um alguém que chore junto
Dividindo nossos medos
Que não saia por ai
Contando em vão
nossos segredos.
.......................................
segunda-feira, 5 de junho de 2017
domingo, 4 de junho de 2017
UM DIA DE DOMINGO
UM DIA DE DOMINGO
Eu preciso te falar
Te encontrar de qualquer jeito
Pra sentar e conversar
Depois andar de encontro ao vento
Eu preciso respirar
O mesmo ar que te rodeia
E na pele quero ter
O mesmo sol que te bronzeia
Eu preciso te tocar
E outra vez te ver sorrindo
E voltar num sonho lindo
Já não dá mais pra viver
Um sentimento sem sentido
Eu preciso descobrir
A emoção de estar contigo
Ver o sol amanhecer
E ver a vida acontecer
Como um dia de domingo
Faz de conta que ainda é cedo
Tudo vai ficar por conta da emoção
Faz de conta que ainda é cedo
E deixar falar a voz do coração
GAL COSTA
sexta-feira, 2 de junho de 2017
UMA FACA SÓ LÂMINA
UMA FACA SÓ LÂMINA
(Para Vinícius de Morais)
Assim como uma bala
enterrada no corpo,
fazendo mais espesso
um dos lados do morto;
enterrada no corpo,
fazendo mais espesso
um dos lados do morto;
assim como uma bala
do chumbo pesado,
no músculo de um homem
pesando-o mais de um lado
do chumbo pesado,
no músculo de um homem
pesando-o mais de um lado
qual bala que tivesse
um vivo mecanismo,
bala que possuísse
um coração ativo
um vivo mecanismo,
bala que possuísse
um coração ativo
igual ao de um relógio
submerso em algum corpo,
ao de um relógio vivo
e também revoltoso,
submerso em algum corpo,
ao de um relógio vivo
e também revoltoso,
relógio que tivesse
o gume de uma faca
e toda a impiedade
de lâmina azulada;
o gume de uma faca
e toda a impiedade
de lâmina azulada;
assim como uma faca
que sem bolso ou bainha
se transformasse em parte
de vossa anatomia;
que sem bolso ou bainha
se transformasse em parte
de vossa anatomia;
qual uma faca íntima
ou faca de uso interno,
habitando num corpo
como o próprio esqueleto
ou faca de uso interno,
habitando num corpo
como o próprio esqueleto
de um homem que o tivesse,
e sempre, doloroso,
de homem que se ferisse
contra seus próprios ossos.
e sempre, doloroso,
de homem que se ferisse
contra seus próprios ossos.
domingo, 28 de maio de 2017
SONETO DE UM DOMINGO.
SONETO DE UM DOMINGO
Rio de Janeiro , 1957
Em casa há muita paz por um domingo assim.a
A mulher dorme, os filhos brincam, a chuva cai...
Esqueço de quem sou para sentir-me pai
E ouço na sala, num silêncio ermo e sem fim,
Um relógio bater, e outro dentro de mim...
Olho o jardim úmido e agreste: isso distrai
Vê-lo, feroz, florir mesmo onde o sol não vai
A despeito do vento e da terra que é ruim.
Na verdade é o infinito essa casa pequena
Que me amortalha o sonho e abriga a desventura
E a mão de uma mulher fez simples, pura e amena.
Deus que és pai como eu e a estimas, porventura:
Quando for minha vez, dá-me que eu vá sem pena
Levando apenas esse pouco que não dura.
Rio, setembro de 1944
E ouço na sala, num silêncio ermo e sem fim,
Um relógio bater, e outro dentro de mim...
Olho o jardim úmido e agreste: isso distrai
Vê-lo, feroz, florir mesmo onde o sol não vai
A despeito do vento e da terra que é ruim.
Na verdade é o infinito essa casa pequena
Que me amortalha o sonho e abriga a desventura
E a mão de uma mulher fez simples, pura e amena.
Deus que és pai como eu e a estimas, porventura:
Quando for minha vez, dá-me que eu vá sem pena
Levando apenas esse pouco que não dura.
Rio, setembro de 1944
sábado, 27 de maio de 2017
LIBERDADE
LIBERDADE
— Liberdade, que estais no céu…
Rezava o padre-nosso que sabia,
A pedir-te, humildemente,
O pio de cada dia.
Mas a tua bondade omnipotente
Nem me ouvia.
Rezava o padre-nosso que sabia,
A pedir-te, humildemente,
O pio de cada dia.
Mas a tua bondade omnipotente
Nem me ouvia.
— Liberdade, que estais na terra…
E a minha voz crescia
De emoção.
Mas um silêncio triste sepultava
A fé que ressumava
Da oração.
E a minha voz crescia
De emoção.
Mas um silêncio triste sepultava
A fé que ressumava
Da oração.
Até que um dia, corajosamente,
Olhei noutro sentido,
e pude, deslumbrado,
Saborear, enfim,
O pão da minha fome.
— Liberdade, que estais em mim,
Santificado seja o vosso nome
Saborear, enfim,
O pão da minha fome.
— Liberdade, que estais em mim,
Santificado seja o vosso nome
...............................
Miguél Torga
sexta-feira, 26 de maio de 2017
POR QUE MENTIAS?
Por que mentias?
Por que mentias leviana e bela?
Se minha face pálida sentias
Queimada pela febre, e minha vida
Tu vias desmaiar, por que mentias?
Se minha face pálida sentias
Queimada pela febre, e minha vida
Tu vias desmaiar, por que mentias?
Acordei da ilusão, a sós morrendo
Sinto na mocidade as agonias.
Por tua causa desespero e morro…
Leviana sem dó, por que mentias?
Sinto na mocidade as agonias.
Por tua causa desespero e morro…
Leviana sem dó, por que mentias?
Sabe Deus se te amei! Sabem as noites
Essa dor que alentei, que tu nutrias!
Sabe esse pobre coração que treme
Que a esperança perdeu por que mentias!
Essa dor que alentei, que tu nutrias!
Sabe esse pobre coração que treme
Que a esperança perdeu por que mentias!
Vê minha palidez – a febre lenta
Esse fogo das pálpebras sombrias…
Pousa a mão no meu peito!
Eu morro! Eu morro!
Leviana sem dó, por que mentias?
Esse fogo das pálpebras sombrias…
Pousa a mão no meu peito!
Eu morro! Eu morro!
Leviana sem dó, por que mentias?
quarta-feira, 24 de maio de 2017
QUALÉ
QUALÉ
(1984)
Tóxico...
Demônio colorido
Que povoa o abismo
de um viciado.
Não há lei nem na terra
e nem no ar
Que converta a mentalidade
de um drogado.
Ele é um escravo
Que um caminho
não descobre
Pra varrer o domínio
do seu domador.
Se hoje “é uma boa
transar um bagulinho”
No futuro
será bem maior a sua dor.
“Qualé”,
“corta essa”,
“tô na minha!”
São palavras
que ouvimos quase sempre.
Mas o seu sangue
o demoninho vai minando
Pra afinal vir também
parar a sua mente.
É bonito “xará”
beber e fumar?
Achas bom
pra ser homem
ou mulher
Desde cedo
ir “transando”?
“Podes crer”.
Que o homem
pra ser homem
A mulher pra ser mulher
Não precisa
nada disso ir buscando.
“Eu to contigo”,
“meu irmão”
“Eu te amparo”.
E nós juntos
“vamos ter
um papo aberto”.
“E eu vou te apresentar
uma barbada”.
E você vai encontrar
o caminho certo.
...............................
Poesia de Erleu Fernandes.
Assinar:
Postagens (Atom)

